CARTA-MANIFESTO PÚBLICA
Seminário Regional da Campanha da Fraternidade 2026
Fraternidade e Moradia – “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14)
Regional Nordeste 1 – CNBB • Ceará
AOS GOVERNOS ESTADUAL E MUNICIPAIS DO CEARÁ, ÀS AUTORIDADES
PÚBLICAS E À SOCIEDADE CEARENSE, SAUDAÇÕES DE PAZ.
Nós, participantes do Seminário Regional de Formação da Campanha
da Fraternidade 2026, representantes das nove dioceses do Ceará —
Arquidiocese de Fortaleza, Diocese de Crato, Diocese de Sobral, Diocese de
Tianguá, Diocese de Quixadá, Diocese de Iguatu, Diocese de Limoeiro do
Norte, Diocese de Crateús e Diocese de Itapipoca — vimos, por meio desta,
expressar nossa preocupação, indignação e senso de responsabilidade
pastoral diante do sofrimento de tantas famílias que vivem sem moradia digna
em nosso Estado.
A realidade que testemunhamos é dramática: casas improvisadas,
favelas em expansão acelerada, comunidades vulneráveis a enchentes,
estiagens e deslizamentos, zonas interioranas sem instrumentos adequados de
habitação e cidades inteiras sem saneamento básico. Soma-se a isso a
alarmante quantidade de pessoas em situação de rua, que cresce dia após
dia em nossas cidades grandes, médias e até pequenas. Homens, mulheres,
jovens, idosos e crianças sobrevivem expostos à violência, ao frio, à fome e ao
abandono. Além do uso abusivo de agrotóxicos que envenenam a água e o
solo e, consequentemente, as pessoas. Não podemos naturalizar essa
tragédia humana.
Manifestamos também grave preocupação com a proposta de
alteração do Plano Diretor de Fortaleza, que busca transformar áreas de
preservação ambiental em mercadoria, entregando parte da Casa Comum
à especulação imobiliária, sem ouvir o povo. Tal iniciativa ameaça
ecossistemas frágeis, intensifica enchentes, reduz áreas verdes, compromete
a saúde pública e aumenta a vulnerabilidade das famílias mais pobres.
Rejeitamos qualquer mudança que viole a função social da cidade e exigimos
que se respeitem os planos participativos, que se escutem verdadeiramente
os clamores das comunidades.
Diante disso, dirigimo-nos diretamente aos dois níveis de governo
responsáveis pela realidade habitacional do Estado:
Ao Governo do Estado do Ceará reivindicamos: instituir o Plano Estadual
de Moradia Digna; investir em infraestrutura urbana e rural; criar políticas permanentes e integradas para pessoas em situação de rua; apoiar
reassentamentos humanizados; fiscalizar empreendimentos que promovem
especulação e expulsão de comunidades.
Aos Governos Municipais requeremos: garantir urbanização das
periferias e favelas; promover saneamento básico; combater remoções
injustas e expulsões forçadas; desenvolver políticas habitacionais
transparentes; fortalecer e democratizar os conselhos municipais de
habitação; criar políticas de acolhida, reinserção e proteção para pessoas em
situação de rua.
A Igreja, presente em todas as nove dioceses citadas, reafirma sua
missão profética de defender a vida e a dignidade humana, cuidar da Casa
Comum, denunciar injustiças e acompanhar os que mais sofrem. Uma Igreja
que não luta pela moradia digna, abandona o Cristo que veio morar entre
nós.
No Ano da Esperança e às portas do Natal, reafirmamos com coragem:
“Enquanto existir uma única família sem moradia digna ou uma pessoa
vivendo nas ruas, nossa missão evangelizadora permanecerá inacabada”.
Atenciosamente,
Participantes do Seminário Regional da Campanha da Fraternidade 2026
Regional Nordeste 1 – CNBB
Quixadá, 23 de novembro de 2025.




